Temas transversais: uma perspectiva globalizante
Os temas transversais
surgiram na educação na década de 90
a partir de questionamentos sobre qual deveria ser o
papel da escola dentro de uma sociedade, sendo eles: ética, pluralidade
cultural, saúde, orientação sexual, meio ambiente e trabalho e consumo. Tinham
como eixo principal a idéia de trabalhar as temáticas de forma transversal, ou
seja, relacionada ou interligada com as demais disciplinas da educação formal,
se preocupando em não colocar de lado os conhecimentos disciplinares e as
teorias que tanto nos ajudaram e ainda nos ajudam as esclarecer o Universo, mas
usá-las para fazer abordagens de acordo com o contexto e a realidade vivida em
determinado momento.
Ao ler e ouvir sobre
Transversalidade na Educação, não é difícil concluir sobre sua potencialidade
na educação, na vida daqueles que passarão pelas mãos dos educadores e
concomitantemente para sociedade como um todo. De fato, educar para formar
cidadãos críticos em relação, a política, ética, meio ambiente ,diversidade, trabalho
e consumo é imprescindível para o seu próprio futuro e para o futuro da
sociedade. Uma escola relevante é uma escola que contribui com a
transformação da comunidade na qual está inserida. (APOLINÁRIO s/d)
De acordo com ARAÚJO
(2000),
Um dos países que
aprofundou essa proposta foi a Espanha, que ao reestruturar o seu sistema
escolar, em 1989 fez a inclusão de temas transversais sistematizada em um
conjunto de conteúdos considerados essenciais para sua realidade. No Brasil, a
proposta se deu à partir de 1997/1998. ARAÚJO (2000)
Bons exemplos são observados nas
redes municipais que desenvolvem programas ligados ao meio ambiente, ética,
cultura popular e saúde escolar. É possível encontrar muitos projetos
desenvolvidos em todo país, nos quais professores, alunos e toda a equipe estão
comprometidos de verdade; há projetos, inclusive até premiados, como o de uma
escola do nordeste que contribuiu para a mudança de comportamento de toda
comunidade escolar em relação ao meio ambiente. Entre tantos projetos
realizados pelas escolas, percebemos que a maior parte é relativa ao meio
ambiente. Acredito que o fato seja decorrente das agressões e alterações
bruscas que o meio ambiente vem sofrendo no decorrer do desenvolvimento, em
ritmo intenso, da sociedade.
A prática da Educação
Ambiental tem como uma de suas metas contextualizar o ensino, trazendo
problemas atuais para as salas de aula, onde o professor e alunos são agentes
do processo de formação, dialogando, trocando idéias e experiências na busca
por soluções. Esta é a proposta didático-pedagógica da Pedagogia Relacional:
proporcionar ações coletivas e contextualizadas. Elaine Frade diz que:
na Pedagogia Relacional,
o paradigma que se apresenta fortemente, baseia-se numa proposta de visão
global do conhecimento, em que as ações didático-pedagógicas vão além da
simples memorização de conteúdos ou de ações individualizadas que não possuam
significado coletivo e contextualizado. (FRADE: 2010, p. 65)
Trabalhando com meio
ambiente e demais temas transversais nas escolas é possível e prazeroso
aprender através da realidade, sendo importante relacioná-la com a teoria,
tendo a oportunidade de analisar cada questão de perto; e é isso que muitas
vezes vai transformar a forma de pensar dos envolvidos. Segundo Jaime Tadeu de
Oliveira:
as áreas convencionais
devem acolher as questões dos temas transversais de forma que seus conteúdos as
explicitem e seus objetivos sejam contemplados. P.e., a área de ciências
naturais inclui a comparação entre os principais órgãos e funções do aparelho
reprodutor masculino e feminino, relacionando seu amadurecimento às mudanças no
corpo e no comportamento de meninos e meninas durante a puberdade e respeitando
as diferenças individuais. Desta forma, o estudo do corpo humano não se
restringe à dimensão biológica, mas coloca esse conhecimento a serviço da
compreensão da diferença de gênero (conteúdo de orientação sexual) e do
respeito à diferença (conteúdo de ética).
(OLIVEIRA: 2001)
Pode-se perceber na
afirmação acima, que não se trata do professor abrir mão de algumas aulas para
tratar especificamente de temas transversais, mas estar apto para trabalhar a
relação existente entre eles.
Diante dessa perspectiva,
deve-se, previamente, ater-se a algumas questões: essas temáticas são abordadas
durante a graduação? Estariam os professores preparados e estimulados, em todos
os aspectos, para desempenharem com êxitos essas propostas? Será que o corpo
docente recebeu uma formação continuada e sólida sobre os temas a serem abordados?
O MEC, ao impor essas ações aos professores, não estaria gerando nos mesmos uma
insegurança quanto à sua aplicação, tendo em vista que a perspectiva
transversal requer uma transformação da prática pedagógica?
Fazer esse tipo de
questionamento é importante para identificar possíveis falhas no sistema e
tentar saná-las a tempo; podendo cobrar mais ações, iniciativas mais eficientes
e menos superficiais do MEC e das secretarias. Acredito que qualquer profissional
que se sinta valorizado diante da função que desempenha, como cidadão
modificador, capaz de cumprir sua missão com dignidade e ética, tem o poder de
passar essa idéia adiante. Ou seja, um professor, que desempenha um papel
fundamental na sociedade – o de formar outros cidadãos e profissionais – precisa
ser mais valorizado em nosso país, para, posteriormente, ser cobrado e, então,
conseguir maior êxito em suas práticas escolares.
Desta forma, fica claro
que, nos dias atuais, com os avanços da sociedade, não é mais possível
trabalhar o conhecimento de forma compartimentada; tendo o aluno como apenas um
agente passivo que recebe informações fragmentadas e vai acumulando-as na expectativa
de um dia usá-las. Ao contrário, é necessário trabalhar de acordo com a
perspectiva globalizante, buscando soluções para os problemas abordados.
Mediante este novo enfoque, cria-se uma ação pedagógica mais reflexiva que além
de problematizar questões importantes, proporciona ao aluno o desenvolvimento
de uma mentalidade questionadora, a fim de usar a experiência do conhecimento
adquirido em busca de possíveis respostas aos desafios que lhe são apresentados.
Cabe ressaltar, ainda, que os profissionais da educação merecem um
reconhecimento maior por parte do estado e uma formação mais específica para
atender às exigências impostas pelo MEC para desempenharem seu papel na
sociedade.
Referências
Bibliográficas:
FRADE, Elaine das Graças e amigos. Guia de Estudos: Educação Ambiental na
Diversidade. Lavras/MG: UFLA 2010.
OLIVA, Tadeu de Oliveira, Muhringer
Sônia Marina. Educação Ambiental:
Curso Básico à Distância. Brasília /DF 2001.
FEITOSA, Ailton. Temas Transversais. Disponível em http://www.infoescola.com/Pedagogia.
MEC. Portal do Ministério da Educação. Apresentação dos Temas Transversais.
Disponível em portal. MEC.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro081.pdf.
APOLINÁRIO,
Mauricio. Temas Transversais, entre a Teoria e a Prática nas Escolas.
Disponível em http://www.mauricioapolinario.com.br. Acesso em 2012.
Texto referente à Atividade 3.1 da Terceira Semana 04/11 de novembro